Amigos de Artes na Passarela

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Qualquer semelhança é mera coincidência



Toda apaixonada por artesanato tem mania compulsiva de comprar muitos novelos de fios (de algodão, lã e sintéticos, barbantes, etc). É só entrar num armarinho e sai de lá com pelo menos alguns novelinhos suficientes para confeccionar um cachecol, ou se encanta por um fio de uma cor ou tonalidade diferente e leva logo o suficiente para uma blusa.

Em casa, na ânsia de começar um trabalho novo vai logo desmanchando o primeiro novelo sem saber exatamente que modelo quer fazer. Faz uma amostra, faz outra, enfim começa a peça e no dia seguinte o calor chega e a empolgação vai embora. 

Não anota nada sobre a peça que ia fazer, coloca o trabalho num fio, esquece o número da agulha que estava usando e o trabalhinho acaba lá na sacolinha... abandonado (chamamos isso de falta de planejamento e organização).

O tempo passa, outro inverno chega e é hora de buscar os fios e as agulhas de tricô esquecidos nos armários. E agora? Como continuar? Que agulha estava usando mesmo?

Melhor começar tudo de novo, afinal encontrou um modelo de blusa mais bonito e moderno. Então... fazer nova amostra com novelo novo, o outro aproveita depois e assim os novelos vão sendo desmontados um a um... com amostras (Minha mãe sempre pergunta por que esse faz e desfaz).

Mas enfim, tudo tem um fim. Decidida a utilizar o fio, resolve concluir um trabalho. Escolhe um novo modelo e reinicia a peça. Volta do trabalho e corre pro tricôzinho, aproveitando cada minutinho no intervalo do almoço e a noite tricô-novela ou tricô-filme (dublado é claro, senão o tricô não progride ou você não entende o filme), afinal tempo vale ouro e o melhor é aproveitá-lo ao máximo.

Enfim terminada a parte correspondente ao tricô da peça, ela ainda não está pronta, faltam as costuras, os arremates para esconder os fios soltos. Mas essa tal montagem da peça é a parte mais chata  de fazer (é uma boa ideia investir num tricô sem costuras) e ainda tem aquele fio que acabou de chegar em casa e está esperando para ser transformado.

E assim deixa-se a montagem e a costura da peça quase pronta para depois, e ela segue de novo para a sacolinha, que segue para uma caixa, que segue para o armário, e que acaba sendo esquecida... de novo, para ser resgatada no próximo inverno.

É claro que no relato acima estou falando de mim, qualquer semelhança com outra arteira é mera coincidência.